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PONTO FINAL
publicado em 19/02/2012 às 00h00.
Jornalistas da "Rede Globo" são vaiados e impedidos de cobrir ato de bombeiros e policiais no Rio. Manifestantes acusam a emissora de ser “tendenciosa e favorável ao governo”
Da redação
redacao@folhauniversal.com.br

Acusada de fazer uma cobertura jornalística "tendenciosa e favorável ao governo", uma equipe da "Globonews", canal pago de notícias pertencente às "Organizações Globo", foi expulsa aos berros da passeata promovida por cerca de 400 policiais militares, civis e bombeiros em Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo (12). A equipe de reportagem iria fazer a cobertura do evento, que reivindicava melhores salários para as categorias e a liberação de seus líderes que foram presos. Impedidos de fazer imagens, os jornalistas foram cercados pelos manifestantes e obrigados a se retirar do local.
O ato público foi gravado por outras emissoras e também por alguns cinegrafistas amadores. Nas imagens, os manifestantes acompanham a jornalista e o cinegrafista da "Rede Globo" até o carro da emissora. Indignados, eles gritavam "Fora, Globo!" em coro. Segundo policiais e bombeiros que participavam da passeata, a emissora manipulou imagens e diálogos da corporação a favor do governo do Estado. A "Rede Globo" foi acusada de prestar um "desserviço à população brasileira".
O blogueiro carioca Ricardo Gama, que acompanha a luta dos bombeiros e policiais desde o ano passado, conta que não foi a primeira vez que a "Rede Globo" foi criticada por manifestantes. "Na assembleia, no dia 9, já houve um princípio de tumulto com a 'Globo'. Os manifestantes estão muito aborrecidos com a forma como a emissora tem feito seu jornalismo", afirma. "A 'Globo' está passando dos limites. Só defende os interesses do governo. É um trabalho para manipular a opinião pública contra os bombeiros e os policiais. O povo se cansou disso. Daqui a pouco eles vão ter que usar um colete a prova de povo e não de balas", disse Gama, autor do vídeo que registrou o tumulto divulgado pela "Rede Record".
Após equipe da "Rede Globo" entrar no carro, os manifestantes cercaram o veículo e começaram a bater na lataria, enquanto outros faziam um cordão humano para que os jornalistas pudessem se retirar do local. Quando finalmente isso aconteceu, o grupo comemorou com aplausos e gritos. Ninguém ficou ferido no tumulto.
No ato, os bombeiros e policiais pediram a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo e outros 15 colegas que estão presos na penitenciária de segurança máxima de Bangu I, no Rio de Janeiro. Daciolo foi detido sob a acusação de incitar atos violentos durante a greve de policiais militares na Bahia. Além disso, policiais e bombeiros lutam por um piso salarial nacional de R$ 3,5 mil. Atualmente, o salário-base fica em torno de R$ 1,1 mil, mais gratificações.
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