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publicado em 19/02/2012 às 00h00.

Intolerância religiosa

Grupo de muçulmanos invade igreja em Burkina Faso, quebra objetos e agride membros da Igreja Universal do Reino de Deus

Neia Meneses

redacao@folhauniversal.com.br


Presente em mais de 170 países, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) tem se empenhado em levar o Evangelho a todas as nações. Ciente da cultura e religião predominante em cada país, pastores, bispos, esposas e obreiros, propagam a Palavra de Deus sempre respeitando os costumes locais. Entretanto, num ato de intolerância religiosa, um grupo de muçulmanos (seguidores da fé islâmica, religião fundada no início do século VII pelo profeta Mohammad ou Maomé, como é conhecido no Brasil), insatisfeito com o trabalho realizado em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, no continente africano, protagonizou um ato bárbaro: eles invadiram a Igreja, agrediram as pessoas e ainda espancaram gravemente a esposa do pastor Issia Karaboué, a ponto de ela perder a consciência.


Antes desse episódio fatídico, a igreja, que havia sido inaugurada em julho do ano passado, recebeu reclamações do mesmo grupo em relação ao som e aos horários dos encontros. Segundo o pastor Karaboué, em cada uma delas, ele procurou respeitar os pedidos feitos pelo grupo. "Eu eliminei algumas caixas de som e modifiquei os horários das reuniões", frisa.


Após as queixas, o episódio que culminou nas agressões foi a confecção de uma camiseta utilizada pelo grupo de evangelização com os dizeres: "Pare de sofrer | EURD" (Eglise Universelle du Royaume de Dieu – IURD em francês). No início deste ano, o pastor Issia foi chamado até a delegacia, onde foi informado de que os muçulmanos haviam programado um ataque à igreja por causa da camisa.


"Enquanto estava na delegacia, meu telefone tocou e fui avisado de que os muçulmanos tinham invadido a igreja, batido no povo e na minha esposa. Ela foi gravemente espancada até perder a consciência, sendo levada ao hospital pelos bombeiros. Queimaram as cadeiras e a bandeira da Igreja. Mais uma vez, fomos até as autoridades informar o ocorrido; elas condenaram os atos", diz.


Atualmente, a Igreja de Ouagadougou, em Burkina Faso, tem 400 membros. A fim de não arriscar a vida dos participantes, foi alugada uma sala de conferência em um hotel para as reuniões.


De acordo com Edgar Leite, professor de história das religiões da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, embora exista o Corão (livro sagrado do Islã), há interpretações de grupos locais do que deve ser combatido, e isso explica as perseguições. "O objetivo maior do Islã é que todos os povos passem a ser muçulmanos e tenham uma só religião: o islã. O que está no Corão é que no decorrer do jihad, que significa expansão da fé, aquele que se opõe deve ser combatido militarmente. Há uma sutileza que gera liberdade de expressão para determinados grupos muçulmanos. Para eles, o cristianismo está impedindo que a religião deles se estabeleça como poder", aponta.


A equipe da Folha Universal entrou em contato com o governo de Burkina Faso para verificar quais seriam as medidas adotadas a fim de garantir a segurança dos membros da Igreja, mas, até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno.

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