Três longos anos. Esse foi o tempo em que um francês de 70 anos permaneceu em seu apartamento em Asnières, na periferia de Paris, na França, sem que ninguém soubesse que estava morto. O corpo foi encontrado no último dia 24 de fevereiro.
O caso chocou o país e reacendeu a discussão sobre o abandono de idosos, principalmente pelo fato de que só souberam de sua morte porque, segundo matéria da rede britânica “BBC”, ele estava com o pagamento do condomínio atrasado.
Após mover uma ação de cobrança pelo dinheiro devido, o síndico do prédio não recebeu resposta do idoso, que costumava quitar as dívidas do apartamento no prazo certo. Então, foram atrás de parentes e acharam um irmão, que não tinha contato com o familiar havia anos.
A vizinhança também não tinha notícias dele. Então, junto com a polícia, o síndico e o irmão invadiram o apartamento e encontraram o homem morto.
Segundo a psicóloga Rachel Zausner Skarbnik, terapeuta comportamental e familiar da Universidade Federal da Bahia, houve uma mudança de estrutura sociocultural familiar que influencia na forma de lidar com o idoso atualmente.
“A entrada da mulher no mercado de trabalho influenciou essa relação entre a família e os mais velhos, pois ela acabava ficando com a função de cuidado com os familiares e hoje não consegue mais, pois está ocupada.
Também há a longevidade, que aumentou, e, além disso, as casas diminuíram de tamanho, o que faz com que muitas vezes não haja espaço físico para acomodar mais uma pessoa, no caso o idoso”, explica.
O problema do abandono de pessoas mais velhas já foi motivo de grande discussão na França, em 2003, quando uma onda de calor matou mais de 13 mil pessoas, a maioria idosas. Pelo menos mil famílias não apareceram para recuperar o corpo dos parentes e foi preciso uma campanha de sensibilização do governo francês para mobilizar os familiares das vítimas.