Por Guilherme Bryan
guilherme.bryan@folhauniversal.com.br
Para a Organização das Nações Unidas (ONU), 2010 é o “Ano Internacional da Biodiversidade”. O objetivo é alertar para o fato de que cerca de 150 espécies de animais e vegetais desaparecem por dia no mundo.
“Estamos perdendo essa biodiversidade a uma taxa mil vezes maior do que a normal na
história da Terra. Então, de acordo com as previsões, até 2030 poderemos estar com 75% das espécies animais e vegetais ameaçadas.
Hoje esse número é de 36%”, avaliou Oliver Hillel, secretário da Convenção sobre a Diversidade Biológica da ONU, durante evento realizado em janeiro na Alemanha.
Ainda em janeiro, a organização ambiental World Wildlife Fund (WWF) listou os dez animais que mais correm risco de extinção.
O primeiro é o tigre, cuja população foi reduzida, nos últimos 100 anos, de cerca de 100 mil para 3,2 mil, em função da caça e da redução do habitat natural para cerca de 7% da área original.
O segundo colocado é o urso polar, ameaçado em função da elevação da temperatura do planeta e de derramamentos de óleo no oceano Ártico.
Um terço das 64 espécies de tubarão também corre risco de extinção, segundo pesquisa de 2008 da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.
Entre eles, um dos mais ameaçados é o tubarão branco, do qual só restam 3,5 mil animais, o equivalente a 10% do existente há 20 anos. Nesse caso, o vilão foi principalmente a pesca, como indica a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
A situação do Brasil não é das piores. Além de não possuir nenhuma espécie na lista de primatas ameaçados divulgada pelo zoológico Bristol Zoo Gardens, da Grã-Bretanha, tem 16% de suas terras protegidas em unidades de conservação, contra 12% da média mundial.
“O Brasil teve avanços consideráveis, como a redução de 75% do desmatamento da Amazônia.
Porém, fora dessa região, caso do Cerrado, a situação é bem mais difícil”, diz Braulio Dias, diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.
No último levantamento brasileiro, de 2003 e 2004, havia 627
espécies ameaçadas.