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ESPECIAL
publicado em 19/02/2012 às 00h00.
Ex-foliões contam o que viveram e viram na propalada festa da alegria
Da redação
redacao@folhauniversal.com.br
O folião que gosta de curtir de carnaval vai buscar alegria na festa, mas é preciso conviver com as mazelas da celebração e, muitas vezes, correr o risco de ser vítima de tragédias. Depois de crescer em uma família que vive intensamente o carnaval, Sheila Aparecida de Moura Santos se envolveu com duas escolas de samba de São Paulo, nas quais trabalhou em várias funções: foi diretora de alegoria, responsável por comissão de frente e até da bateria.
Nos 5 anos em que foi profissional do samba, ela diz ter visto "tudo de ruim" em barracões, nos ensaios e nas avenidas. "Como eu trabalhava no meio, vi como funcionava: o traficante de drogas financiava a escola (que lavava o dinheiro), e em troca podia atuar dentro dos ensaios e festas. Sempre tinha muita droga e bebida. Vi muita confusão, traição, brigas e até tiros", lembra Santos, que não revela os nomes das escolas para evitar represálias.
Ela só percebeu as consequências em sua vida quando engravidou, inesperadamente, de uma relação iniciada nos barracões. Hoje, aos 30 anos e mãe solteira de uma criança de 8 anos, separada, ela não frequenta mais o samba. Neste carnaval, a hoje agente de telemarketing está de plantão e ficará longe da avenida.
Mas a violência não é exclusividade das escolas de samba. Ivone Neri Bahia, de 35 anos, encarregada de produção, cresceu curtindo o carnaval de rua em Itabuna, cidade localizada a 426 quilômetros ao sul de Salvador (BA). "Gostava de curtir a música, a emoção de ir atrás do trio elétrico, aquela alegria. Mas, depois da festa, ficava o vazio: a alegria e a emoção eram muito passageiras", conta Ivone, que cresceu e passou a perceber os perigos da festa. "A violência me assustou, pois vi pessoas morrerem perto de mim. Comecei a perceber que havia muita prostituição, drogas, pessoas passando mal. Até meus amigos faziam isso, pessoas casadas que traíam os maridos. Além disso, quase fui atingida duas vezes por balas perdidas", diz Neri, que desde então nunca mais pensou em carnaval.
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