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ENTREVISTA
publicado em 26/06/2011 às 00h00.
Diretor de associação de lojistas fala do avanço de um novo tipo de shopping nas cidades médias do País na direção da nova classe média
Talita Boros
talita.boros@folhauniversal.com.br
O número de shoppings nas cidades do interior do País deve ultrapassar o dos grandes centros pela primeira vez em 2011, segundo previsão da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Cada vez mais cobiçados por lojistas e consumidores, os novos empreendimentos estão em expansão no Brasil e hoje somam 124 em construção. Ao todo, 65% estão no interior, em cidades com mais de 120 mil habitantes. O diretor de Relações Institucionais da Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva, aponta quais são as tendências desse mercado emergente, que busca atingir a nova classe C.
1 – Neste ano o número de shoppings no interior deve ultrapassar o das capitais. A que se deve isso?
Com a ascensão dessa nova classe emergente no Brasil e com a empregabilidade positiva, não houve mais aquele êxodo das cidades do interior para os grandes centros. Essa permanência da população permitiu que os empreendedores pudessem projetar novos centros de compra nessas cidades.
2 – Os moradores do interior são o novo público alvo?
Não há dúvida que esse foco é latente. Mas isso não quer dizer que não surgirão shoppings em grandes centros. Esse mercado do interior não foi descoberto agora, mas há uns 6 anos. Desde então, o Brasil vem crescendo no interior.
3 – Existe diferença de infraestrutura entre os shoppings do interior e os da capital?
Eles seguem os padrões dos shoppings e adotam a nova concepção de estabelecimentos menores. Isso tem acontecido tanto nos grandes centros quanto no interior. Os grandes shoppings, com 500 a 550 lojas, já não existem mais. Hoje são construídos shoppings menores, com até 200 lojas, num mix de serviços, lojas, lazer e de gastronomia.
4 – Vimos vários assaltos às joalherias de shoppings no ano passado, o que mudou na área de segurança?
Apesar dos assaltos que aconteceram no ano passado, os shoppings sempre foram lugares onde o consumidor se sentia o mais protegido possível. Claro que não existe segurança 100% em nenhum lugar do mundo. O que aconteceu em 2010 foi que os primeiros assaltos às joalherias tiveram uma grande divulgação pela imprensa. Isso fez com que os criminosos, que estavam tendo dificuldade de atuar em outras áreas, passassem a assaltar shoppings.
5 – Mas o que foi feito para coibir as ações?
A Alshop realizou um fórum de segurança com especialistas para debater o assunto. Uma série de resoluções foi tomada para minimizar a ação dos criminosos. As ações inibiram bastante a entrada de criminosos nos shoppings. São atuações cautelosas e sigilosas.
6 – A inflação preocupa as vendas deste ano?
As medidas cautelares que o Governo tomou, tentando inibir o consumo já surtiram efeito nas áreas de mais alto valor, como no mercado automobilístico, onde você já sente uma retração. O varejo de shopping teve um primeiro termômetro de arrefecimento na primeira quinzena de abril, quando houve um declínio de consumo. Mas depois, e pela proximidade de dois eventos importantes, Páscoa e Dia das Mães, o comércio ressurgiu com força total. A mercadoria de inverno é mais cara, então, independente de inflação, o consumidor dá uma segurada. Mas agora se o frio chegar com força, o consumidor não vai conseguir deixar de comprar.
7 – Os outlets (shoppings com preços mais acessíveis) são mesmo tendência?
Esse é um tipo de empreendimento que sempre funcionou bem no Brasil. Muita gente gosta de comprar mercadorias que, apesar de defasadas na estação, têm preços convidativos. Isso é um foco, mas não teremos uma concentração brutal de outlets.
8 – Qual a posição sobre a lei que impede a cobrança dos estacionamentos?
Nós podemos dizer que essa lei é um repeteco de tantas estaduais que já saíram pelo Brasil. Todas elas foram vetadas pelos governadores, considerando sua inconstitucionalidade. Os shoppings cobram estacionamento para dar conforto aos seus clientes. Cobram, porque se não cobrarem todas as pessoas que trabalham em escritórios da região vão parar seus carros ali.
9 – E sobre a proibição das sacolas plásticas?
A nossa posição sobre isso é extremamente favorável. Eu acho que hoje a preocupação maior é com o cuidado com o mundo. Eu acredito que essa é uma medida importante, que Belo Horizonte já tomou, e vários supermercados já aderiram.
10 – A retirada das sacolas plásticas dos shoppings deve ocorrer sem resistências?
Grande parte das lojas de moda já não usa sacolas de plástico e sim de papel. Você ainda tem sacolas de plástico em consumo popular e isso vai ter que ser banido. Os consumidores procuram comprar coisas que têm responsabilidade social e aquele lojista que ficar arredio vai ver as vendas diminuírem.
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